Ginecologia

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Pode fazer laqueadura menstruada? Veja indicações e como funciona o procedimento

Entenda se pode fazer laqueadura menstruada, como funciona o procedimento, indicações, riscos e cuidados no pós-operatório.
Equipe Alvorada
Equipe Alvorada - Equipe Alvorada Atualizado em 28/04/2026
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Será que o período menstrual realmente interfere em uma cirurgia de laqueadura? Saiba o que considerar antes do procedimento.

A laqueadura consiste na interrupção das trompas de Falópio para impedir o encontro do óvulo com o espermatozoide. O ciclo menstrual corresponde ao descamamento do revestimento interno do útero, enquanto a cirurgia atua exclusivamente nas trompas. Por isso, o período menstrual não interfere na realização da laqueadura nem altera o funcionamento do procedimento, já que não há impacto sobre a função hormonal ovariana. O ciclo menstrual continua ocorrendo normalmente.

Estudos (2024) indicam que os métodos de esterilização são a escolha de mais de 220 milhões de casais no mundo.

A avaliação médica no dia da cirurgia garante a estabilidade clínica da paciente, contribuindo para que o procedimento ocorra com segurança e previsibilidade.

Indicações e contexto do procedimento

A principal motivação para a laqueadura é a decisão voluntária de encerrar a capacidade reprodutiva. Por isso, o método é indicado para mulheres que têm certeza quanto à escolha, já que a reversão do procedimento é possível, mas complexa e nem sempre bem-sucedida.

Além do planejamento familiar, a cirurgia também pode ser recomendada quando uma gestação futura representa riscos importantes à saúde da mulher.

A laqueadura tubária pode apresentar benefícios não contraceptivos, como possível melhora do padrão menstrual em alguns casos e redução do risco de câncer de ovário.

Preparação operatória e o ciclo menstrual

A avaliação pré-operatória da laqueadura inclui anamnese detalhada. Mas também o médico pode vir a pedir exames físicos e laboratoriais, como hemograma e testes de coagulação.

A depender das condições clínicas da paciente, podem ser solicitadas avaliações adicionais, como cardiológica, ainda mais quando há fatores de risco associados.

O procedimento é geralmente realizado por videolaparoscopia, que é uma técnica minimamente invasiva. Nela, o médico cirurgião faz pequenas incisões abdominais e introduz uma câmera e outros instrumentos cirúrgicos, que permitem a oclusão das trompas de Falópio com segurança e menor tempo de recuperação.

A presença de menstruação no dia da cirurgia não contraindica o procedimento. A mulher pode vir a realizar o procedimento porque ele é realizado na cavidade abdominal, não interferindo no período menstrual.

Ainda assim, muitos serviços optam por programar a cirurgia fora do período menstrual, principalmente para facilitar a organização do preparo pré-operatório e a exclusão de uma gestação inicial.

Por isso que é importante ter informações prévias sobre o procedimento, já que ele é um tipo de intervenção irreversível. Com a orientação adequada durante o atendimento é possível decidir por dar andamento com o procedimento ou não.

O acesso a informações claras sobre métodos contraceptivos contribui para uma tomada de decisão mais consciente e segura no campo da saúde reprodutiva.

Riscos, reconsiderações e aspectos gerais da laqueadura

Os riscos da laqueadura tubária são baixos, especialmente quando o procedimento é realizado em ambiente hospitalar adequado e por equipe especializada.

Ainda assim, como toda cirurgia, pode haver infecção no local das incisões, sangramento, dor abdominal no pós-operatório ou reações à anestesia.

Em casos raros, podem ocorrer lesões em estruturas próximas, como intestino ou bexiga, além da possibilidade de gravidez após o procedimento, inclusive gravidez ectópica.

Também é importante considerar que, por ser um método definitivo, pode haver arrependimento em alguns casos.

No entanto, a laqueadura não interfere na produção hormonal nem interrompe o ciclo menstrual, que continua ocorrendo normalmente.

Síndrome pós-laqueadura e relação com a menstruação

A chamada “síndrome pós-laqueadura” (ou síndrome pós-ligadura tubária) é um termo usado para descrever sintomas que algumas mulheres podem relatar após o procedimento.

Não há evidências consistentes de que fazer a laqueadura durante a menstruação cause esses sintomas, nem de que o momento do ciclo tenha relação com o seu surgimento.

Segundo a literatura (Satoh; Osada, 1993), esses sintomas podem estar ligados a alterações locais após a cirurgia, como mudanças na circulação sanguínea nas trompas e nos ovários, compressão de nervos e formação de aderências na região pélvica.

Os sintomas mais relatados são:

  • Dor na região pélvica ou lombar
  • Desconforto durante a relação sexual
  • Alterações no fluxo menstrual
  • Cólicas mais intensas em alguns ciclos

Na maioria dos casos, essas queixas são leves e melhoram com tratamento simples.

Quando os sintomas continuam por muito tempo ou são mais intensos, pode ser necessário investigar outras causas com o médico.

Em situações específicas, e com indicação clara, podem ser considerados procedimentos de revisão ou, raramente, a reversão da laqueadura (Satoh; Osada, 1993).

Cuidados pós-procedimento e recuperação

Após a laqueadura, alguns cuidados são importantes para garantir uma recuperação adequada e reduzir o risco de complicações.

  • Repouso nos primeiros dias após a cirurgia
  • Evitar esforços físicos intensos por cerca de duas semanas
  • Manter a higiene adequada das incisões cirúrgicas para prevenir infecções
  • Utilizar analgésicos apenas quando prescritos pelo médico para controle do desconforto abdominal inicial
  • Observar sinais como dor intensa, febre ou vermelhidão na região operada

Em relação ao ciclo menstrual, algumas mulheres podem perceber mudanças após o procedimento.

Em muitos casos, isso ocorre não pela laqueadura em si, mas pela suspensão de métodos contraceptivos hormonais anteriores, o que permite o retorno do padrão natural do ciclo.

O acompanhamento médico no período de recuperação é fundamental para garantir uma adaptação adequada do organismo, esclarecer dúvidas e assegurar que a evolução pós-operatória ocorra de forma segura tanto física quanto emocionalmente.

Segurança e estrutura para realização da laqueadura

Embora a menstruação, em vários casos, não impeça a realização da laqueadura, a indicação e o momento da cirurgia devem ser definidos pelo médico responsável. Nessa avaliação, o médico considera as condições clínicas atuais da paciente e as necessidades envolvidas pelo procedimento. Com isso, a mulher tem uma maior segurança no preparo e na execução da cirurgia.

O procedimento deve ser realizado em ambiente hospitalar adequado. A estrutura precisa contar com centro cirúrgico preparado e equipe especializada.

Isso garante segurança, suporte técnico e acompanhamento adequado em todas as etapas da cirurgia e da recuperação.

Instituições como o Hospital Alvorada (Moema) oferecem essa estrutura. O objetivo é assegurar que a paciente tenha atendimento certo e assistência adequada durante todo o processo. Cada decisão deve ser tomada com base no que for mais seguro e mais adequado para a saúde e o bem-estar da mulher.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

MAKUCH, Maria; PERES, Maria; AMARAL, Eliana. O fio cirúrgico da laqueadura é tão pesado!: laqueadura e novas tecnologias reprodutivas. [Updated 2014]. In: Saúde e Sociedade [Internet]. São Paulo (SP): Saúde e Sociedade; 2014. Available from: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/kgSbv3LCkmP4z95BjCW4Qyp/?lang=pt. Acesso em: 13 abr. 2026.

SATOH, K.; OSADA, H. [Post-tubal ligation syndrome]. [Updated 1993]. In: Ryoikibetsu Shokogun Shirizu [Internet]. Japan: Ryoikibetsu Shokogun Shirizu; 1993. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7757737/. Acesso em: 13 abr. 2026.

SUNG, Sharon; ABRAMOVITZ, Aaron. Tubal Ligation. [Updated 2024 Jan 31]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31751063/. Acesso em: 13 abr. 2026.

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