
Será que o período menstrual realmente interfere em uma cirurgia de laqueadura? Saiba o que considerar antes do procedimento.
A laqueadura consiste na interrupção das trompas de Falópio para impedir o encontro do óvulo com o espermatozoide. O ciclo menstrual corresponde ao descamamento do revestimento interno do útero, enquanto a cirurgia atua exclusivamente nas trompas. Por isso, o período menstrual não interfere na realização da laqueadura nem altera o funcionamento do procedimento, já que não há impacto sobre a função hormonal ovariana. O ciclo menstrual continua ocorrendo normalmente.
Estudos (2024) indicam que os métodos de esterilização são a escolha de mais de 220 milhões de casais no mundo.
A avaliação médica no dia da cirurgia garante a estabilidade clínica da paciente, contribuindo para que o procedimento ocorra com segurança e previsibilidade.
Indicações e contexto do procedimento
A principal motivação para a laqueadura é a decisão voluntária de encerrar a capacidade reprodutiva. Por isso, o método é indicado para mulheres que têm certeza quanto à escolha, já que a reversão do procedimento é possível, mas complexa e nem sempre bem-sucedida.
Além do planejamento familiar, a cirurgia também pode ser recomendada quando uma gestação futura representa riscos importantes à saúde da mulher.
A laqueadura tubária pode apresentar benefícios não contraceptivos, como possível melhora do padrão menstrual em alguns casos e redução do risco de câncer de ovário.
Preparação operatória e o ciclo menstrual
A avaliação pré-operatória da laqueadura inclui anamnese detalhada. Mas também o médico pode vir a pedir exames físicos e laboratoriais, como hemograma e testes de coagulação.
A depender das condições clínicas da paciente, podem ser solicitadas avaliações adicionais, como cardiológica, ainda mais quando há fatores de risco associados.
O procedimento é geralmente realizado por videolaparoscopia, que é uma técnica minimamente invasiva. Nela, o médico cirurgião faz pequenas incisões abdominais e introduz uma câmera e outros instrumentos cirúrgicos, que permitem a oclusão das trompas de Falópio com segurança e menor tempo de recuperação.
A presença de menstruação no dia da cirurgia não contraindica o procedimento. A mulher pode vir a realizar o procedimento porque ele é realizado na cavidade abdominal, não interferindo no período menstrual.
Ainda assim, muitos serviços optam por programar a cirurgia fora do período menstrual, principalmente para facilitar a organização do preparo pré-operatório e a exclusão de uma gestação inicial.
Por isso que é importante ter informações prévias sobre o procedimento, já que ele é um tipo de intervenção irreversível. Com a orientação adequada durante o atendimento é possível decidir por dar andamento com o procedimento ou não.
O acesso a informações claras sobre métodos contraceptivos contribui para uma tomada de decisão mais consciente e segura no campo da saúde reprodutiva.
Riscos, reconsiderações e aspectos gerais da laqueadura
Os riscos da laqueadura tubária são baixos, especialmente quando o procedimento é realizado em ambiente hospitalar adequado e por equipe especializada.
Ainda assim, como toda cirurgia, pode haver infecção no local das incisões, sangramento, dor abdominal no pós-operatório ou reações à anestesia.
Em casos raros, podem ocorrer lesões em estruturas próximas, como intestino ou bexiga, além da possibilidade de gravidez após o procedimento, inclusive gravidez ectópica.
Também é importante considerar que, por ser um método definitivo, pode haver arrependimento em alguns casos.
No entanto, a laqueadura não interfere na produção hormonal nem interrompe o ciclo menstrual, que continua ocorrendo normalmente.
Síndrome pós-laqueadura e relação com a menstruação
A chamada “síndrome pós-laqueadura” (ou síndrome pós-ligadura tubária) é um termo usado para descrever sintomas que algumas mulheres podem relatar após o procedimento.
Não há evidências consistentes de que fazer a laqueadura durante a menstruação cause esses sintomas, nem de que o momento do ciclo tenha relação com o seu surgimento.
Segundo a literatura (Satoh; Osada, 1993), esses sintomas podem estar ligados a alterações locais após a cirurgia, como mudanças na circulação sanguínea nas trompas e nos ovários, compressão de nervos e formação de aderências na região pélvica.
Os sintomas mais relatados são:
- Dor na região pélvica ou lombar
- Desconforto durante a relação sexual
- Alterações no fluxo menstrual
- Cólicas mais intensas em alguns ciclos
Na maioria dos casos, essas queixas são leves e melhoram com tratamento simples.
Quando os sintomas continuam por muito tempo ou são mais intensos, pode ser necessário investigar outras causas com o médico.
Em situações específicas, e com indicação clara, podem ser considerados procedimentos de revisão ou, raramente, a reversão da laqueadura (Satoh; Osada, 1993).
Cuidados pós-procedimento e recuperação
Após a laqueadura, alguns cuidados são importantes para garantir uma recuperação adequada e reduzir o risco de complicações.
- Repouso nos primeiros dias após a cirurgia
- Evitar esforços físicos intensos por cerca de duas semanas
- Manter a higiene adequada das incisões cirúrgicas para prevenir infecções
- Utilizar analgésicos apenas quando prescritos pelo médico para controle do desconforto abdominal inicial
- Observar sinais como dor intensa, febre ou vermelhidão na região operada
Em relação ao ciclo menstrual, algumas mulheres podem perceber mudanças após o procedimento.
Em muitos casos, isso ocorre não pela laqueadura em si, mas pela suspensão de métodos contraceptivos hormonais anteriores, o que permite o retorno do padrão natural do ciclo.
O acompanhamento médico no período de recuperação é fundamental para garantir uma adaptação adequada do organismo, esclarecer dúvidas e assegurar que a evolução pós-operatória ocorra de forma segura tanto física quanto emocionalmente.
Segurança e estrutura para realização da laqueadura
Embora a menstruação, em vários casos, não impeça a realização da laqueadura, a indicação e o momento da cirurgia devem ser definidos pelo médico responsável. Nessa avaliação, o médico considera as condições clínicas atuais da paciente e as necessidades envolvidas pelo procedimento. Com isso, a mulher tem uma maior segurança no preparo e na execução da cirurgia.
O procedimento deve ser realizado em ambiente hospitalar adequado. A estrutura precisa contar com centro cirúrgico preparado e equipe especializada.
Isso garante segurança, suporte técnico e acompanhamento adequado em todas as etapas da cirurgia e da recuperação.
Instituições como o Hospital Alvorada (Moema) oferecem essa estrutura. O objetivo é assegurar que a paciente tenha atendimento certo e assistência adequada durante todo o processo. Cada decisão deve ser tomada com base no que for mais seguro e mais adequado para a saúde e o bem-estar da mulher.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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SATOH, K.; OSADA, H. [Post-tubal ligation syndrome]. [Updated 1993]. In: Ryoikibetsu Shokogun Shirizu [Internet]. Japan: Ryoikibetsu Shokogun Shirizu; 1993. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7757737/. Acesso em: 13 abr. 2026.
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