
Cada caso deve ser avaliado de forma individual para a reversão da laqueadura, o resultado só é possível com análise médica.
A laqueadura é um procedimento cirúrgico bastante conhecido entre mulheres que decidiram não engravidar novamente. Com o passar do tempo, é comum que surja uma dúvida que atravessa diferentes fases da vida: laqueadura tem reversão?
Essa pergunta costuma aparecer em momentos de mudança. Um novo relacionamento, o desejo de ampliar a família ou até uma reflexão mais madura sobre escolhas feitas no passado fazem com que muitas mulheres busquem entender se ainda existe a possibilidade de uma gestação.
A laqueadura é considerada um método definitivo. Mesmo assim, existem situações em que pode ser avaliada uma tentativa de reversão. Essa possibilidade não é igual para todas as mulheres e depende de condições específicas do organismo e da forma como a cirurgia foi realizada.
Como a laqueadura altera o funcionamento do corpo
Para entender se a laqueadura tem reversão, é necessário compreender o que acontece no corpo após o procedimento.
A cirurgia atua diretamente nas trompas de Falópio, que são os canais responsáveis por levar o óvulo até o útero e permitir o encontro com o espermatozoide.
Durante a laqueadura, essas trompas são interrompidas. Essa interrupção pode ser feita por meio de corte, amarração ou bloqueio. A partir desse momento, o caminho natural da fecundação deixa de existir.
Mesmo com essa alteração, o corpo continua funcionando normalmente. Os ovários seguem liberando óvulos e os hormônios continuam sendo produzidos. A menstruação também não deixa de acontecer.Esse ponto costuma gerar dúvida, porque muitas mulheres associam a fertilidade apenas ao funcionamento hormonal.
Na prática, o que muda não é a capacidade do corpo de produzir óvulos, mas sim a possibilidade de encontro entre eles e os espermatozoides.
Como funciona a tentativa de reversão da laqueadura
Quando se fala em reversão da laqueadura, o objetivo é tentar refazer o caminho que foi interrompido durante a cirurgia.
Na laqueadura, as trompas são bloqueadas, cortadas ou amarradas. Na reversão, o médico avalia se ainda existe parte suficiente dessas estruturas para reconectar esse trajeto.
Conforme demonstram pesquisas publicadas em (2010), a reconstrução envolve a remoção cuidadosa do tecido de cicatrização para permitir a união das estruturas do órgão.
Esse processo é chamado de anastomose, que consiste na conexão entre partes internas, como as camadas muscular, mucosa e serosa, permitindo que o órgão volte a funcionar de forma contínua.
Esse processo não “desfaz” a laqueadura, mas tenta reconstruir uma estrutura delicada do organismo feminino. A reconstrução tenta liberar o caminho interno da trompa para que o óvulo consiga encontrar novamente o espermatozoide.
Esse procedimento é chamado de recanalização tubária. Ele exige técnica especializada e só pode ser indicado após uma avaliação detalhada.
Nem sempre essa reconstrução é possível. Em alguns casos, a trompa pode não ter estrutura suficiente para ser reconectada.
Nem sempre essa reconstrução é possível. Em alguns casos, a trompa pode não apresentar condições adequadas para ser reconectada, seja pela extensão da alteração ou pela ausência de estrutura suficiente para a união das partes.
Nessas situações, a possibilidade de uma gestação natural pode ficar comprometida, o que leva à consideração de outras abordagens. Entre elas, estão as técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), que podem ser indicadas conforme a avaliação médica e o contexto de cada paciente.
Mesmo quando a cirurgia é realizada, não é possível afirmar que a gravidez irá acontecer, porque o funcionamento da trompa precisa estar preservado para permitir a fecundação e cada organismo reage de uma maneira diferente.
Por que a reversão varia entre as mulheres?
A possibilidade de reverter a laqueadura não depende de um único fator, mas sim de uma avaliação conjunta da saúde reprodutiva. O sucesso do procedimento está ligado a pontos específicos que determinam se a reconstrução será eficaz:
- Idade da mulher: a fertilidade natural diminui com o passar dos ano
- Tipo de laqueadura: algumas técnicas preservam melhor a estrutura das trompas.
- Tempo de cirurgia: intervalos muito longos podem dificultar a reconstrução do caminho original.
- Condição das trompas: é essencial que haja tecido saudável para refazer a ligação.
Quando a reversão não é indicada
A cirurgia pode não ser recomendada quando as trompas foram severamente afetadas ou não possuem extensão suficiente para a conexão.
Fatores de saúde geral e a reserva ovariana também influenciam essa decisão.
Nesses casos, a reconstrução física pode não ser o caminho mais assertivo para alcançar a gravidez, exigindo outras abordagens médicas.
Caminhos possíveis para o desejo de engravidar
Quando a reversão não é indicada ou apresenta baixa possibilidade de sucesso, outros caminhos podem ser considerados.
A fertilização in vitro (FIV) é a principal alternativa, pois a fecundação acontece fora do corpo e o embrião é transferido diretamente para o útero.
Como esse processo não depende das trompas, ele se torna a opção ideal em situações onde a reconstrução física não é viável, permitindo que o sonho da maternidade seja alcançado por outra via técnica.
Decisão consciente e precisão técnica
O trabalho de Aguiar et al. (2005) demonstra que o uso de instrumentos para ampliar a visão das estruturas é fundamental para o sucesso das cirurgias.
Ou seja, se o suporte tecnológico já era essencial no passado, o avanço atual da medicina pode tornar a reversão da laqueadura um procedimento mais assertivo e seguro hoje em dia.
Apesar dessa evolução, a reversão permanece um processo de alta complexidade que depende da saúde e do histórico clínico individual.
Por isso, é indispensável que qualquer decisão sobre a saúde reprodutiva seja acompanhada por um ginecologista em um ambiente hospitalar que ofereça o suporte necessário.
O Hospital Alvorada conta com diversos especialistas em saúde da mulher e reprodução renomados atendendo nas unidades de Moema (São Paulo) e em Brasília (Asa Sul) que podem atendê-la e acompanhar possíveis reversões de laqueadura.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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