Ginecologia

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Laqueadura tem reversão? Entenda como funciona e quais as chances disso acontecer

Laqueadura tem reversão? Entenda como funciona, o que influencia as chances e quando a reversão pode ser considerada.
Equipe Alvorada
Equipe Alvorada - Equipe Alvorada Atualizado em 28/04/2026
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Cada caso deve ser avaliado de forma individual para a reversão da laqueadura, o resultado só é possível com análise médica.

A laqueadura é um procedimento cirúrgico bastante conhecido entre mulheres que decidiram não engravidar novamente. Com o passar do tempo, é comum que surja uma dúvida que atravessa diferentes fases da vida: laqueadura tem reversão?

Essa pergunta costuma aparecer em momentos de mudança. Um novo relacionamento, o desejo de ampliar a família ou até uma reflexão mais madura sobre escolhas feitas no passado fazem com que muitas mulheres busquem entender se ainda existe a possibilidade de uma gestação.

A laqueadura é considerada um método definitivo. Mesmo assim, existem situações em que pode ser avaliada uma tentativa de reversão. Essa possibilidade não é igual para todas as mulheres e depende de condições específicas do organismo e da forma como a cirurgia foi realizada.

Como a laqueadura altera o funcionamento do corpo

Para entender se a laqueadura tem reversão, é necessário compreender o que acontece no corpo após o procedimento.

A cirurgia atua diretamente nas trompas de Falópio, que são os canais responsáveis por levar o óvulo até o útero e permitir o encontro com o espermatozoide.

Durante a laqueadura, essas trompas são interrompidas. Essa interrupção pode ser feita por meio de corte, amarração ou bloqueio. A partir desse momento, o caminho natural da fecundação deixa de existir.

Mesmo com essa alteração, o corpo continua funcionando normalmente. Os ovários seguem liberando óvulos e os hormônios continuam sendo produzidos. A menstruação também não deixa de acontecer.Esse ponto costuma gerar dúvida, porque muitas mulheres associam a fertilidade apenas ao funcionamento hormonal.

Na prática, o que muda não é a capacidade do corpo de produzir óvulos, mas sim a possibilidade de encontro entre eles e os espermatozoides.

Como funciona a tentativa de reversão da laqueadura

Quando se fala em reversão da laqueadura, o objetivo é tentar refazer o caminho que foi interrompido durante a cirurgia.

Na laqueadura, as trompas são bloqueadas, cortadas ou amarradas. Na reversão, o médico avalia se ainda existe parte suficiente dessas estruturas para reconectar esse trajeto.

Conforme demonstram pesquisas publicadas em (2010), a reconstrução envolve a remoção cuidadosa do tecido de cicatrização para permitir a união das estruturas do órgão.

Esse processo é chamado de anastomose, que consiste na conexão entre partes internas, como as camadas muscular, mucosa e serosa, permitindo que o órgão volte a funcionar de forma contínua.

Esse processo não “desfaz” a laqueadura, mas tenta reconstruir uma estrutura delicada do organismo feminino. A reconstrução tenta liberar o caminho interno da trompa para que o óvulo consiga encontrar novamente o espermatozoide.

Esse procedimento é chamado de recanalização tubária. Ele exige técnica especializada e só pode ser indicado após uma avaliação detalhada.

Nem sempre essa reconstrução é possível. Em alguns casos, a trompa pode não ter estrutura suficiente para ser reconectada.

Nem sempre essa reconstrução é possível. Em alguns casos, a trompa pode não apresentar condições adequadas para ser reconectada, seja pela extensão da alteração ou pela ausência de estrutura suficiente para a união das partes.

Nessas situações, a possibilidade de uma gestação natural pode ficar comprometida, o que leva à consideração de outras abordagens. Entre elas, estão as técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), que podem ser indicadas conforme a avaliação médica e o contexto de cada paciente.

Mesmo quando a cirurgia é realizada, não é possível afirmar que a gravidez irá acontecer, porque o funcionamento da trompa precisa estar preservado para permitir a fecundação e cada organismo reage de uma maneira diferente.

Por que a reversão varia entre as mulheres?

A possibilidade de reverter a laqueadura não depende de um único fator, mas sim de uma avaliação conjunta da saúde reprodutiva. O sucesso do procedimento está ligado a pontos específicos que determinam se a reconstrução será eficaz:

  • Idade da mulher: a fertilidade natural diminui com o passar dos ano
  • Tipo de laqueadura: algumas técnicas preservam melhor a estrutura das trompas.
  • Tempo de cirurgia: intervalos muito longos podem dificultar a reconstrução do caminho original.
  • Condição das trompas: é essencial que haja tecido saudável para refazer a ligação.

Quando a reversão não é indicada

A cirurgia pode não ser recomendada quando as trompas foram severamente afetadas ou não possuem extensão suficiente para a conexão.

Fatores de saúde geral e a reserva ovariana também influenciam essa decisão.

Nesses casos, a reconstrução física pode não ser o caminho mais assertivo para alcançar a gravidez, exigindo outras abordagens médicas.

Caminhos possíveis para o desejo de engravidar

Quando a reversão não é indicada ou apresenta baixa possibilidade de sucesso, outros caminhos podem ser considerados.

A fertilização in vitro (FIV) é a principal alternativa, pois a fecundação acontece fora do corpo e o embrião é transferido diretamente para o útero.

Como esse processo não depende das trompas, ele se torna a opção ideal em situações onde a reconstrução física não é viável, permitindo que o sonho da maternidade seja alcançado por outra via técnica.

Decisão consciente e precisão técnica

O trabalho de Aguiar et al. (2005) demonstra que o uso de instrumentos para ampliar a visão das estruturas é fundamental para o sucesso das cirurgias.

Ou seja, se o suporte tecnológico já era essencial no passado, o avanço atual da medicina pode tornar a reversão da laqueadura um procedimento mais assertivo e seguro hoje em dia.

Apesar dessa evolução, a reversão permanece um processo de alta complexidade que depende da saúde e do histórico clínico individual.

Por isso, é indispensável que qualquer decisão sobre a saúde reprodutiva seja acompanhada por um ginecologista em um ambiente hospitalar que ofereça o suporte necessário.

O Hospital Alvorada conta com diversos especialistas em saúde da mulher e reprodução renomados atendendo nas unidades de Moema (São Paulo) e em Brasília (Asa Sul) que podem atendê-la e acompanhar possíveis reversões de laqueadura.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

KARAYALCIN, R.; OZCAN, S.; TOKMAK, A.; GÜRLEK, B.; YENICESU, O.; TIMUR, H. Pregnancy outcome of laparoscopic tubal reanastomosis: retrospective results from a single clinical centre. [Updated 2017]. In: Journal of International Medical Research [Internet]. 2017 Jun;45(3):1245-1252. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28534697/. Acesso em: 14 abr. 2026.

MOURA, Escolástica Rejane Ferreira; VIEIRA, Rebeca Pinho Romero. Reconstrução cirúrgica tubária e condições de realização das laqueaduras. [Updated 2010]. In: Revista Gaúcha de Enfermagem [Internet]. 2010 Sep;31(3):536-543. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1983-14472010000300018. Acesso em: 14 abr. 2026.

RECANALIZAÇÃO tubária videolaparoscópica pós-laqueadura: resultados iniciais. [Updated 1998]. In: Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [Internet]. Brasil: Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia; 1998. Available from: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/HnBxFPPDLVRvBdVnYCtGsxP/?lang=pt. Acesso em: 23 abr. 2026.

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