
A escoliose torácica causa uma curvatura anormal na região média da coluna; o desvio pode deixar ombros e quadris desalinhados e causar fadiga muscular
A assimetria sutil nas costas costuma ser o primeiro sinal perceptível da escoliose torácica. O quadro consiste em uma curvatura estrutural e tridimensional da coluna vertebral com desvio a partir de 10 graus, conhecido como Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA), de acordo com a Fiocruz.
Nesses pacientes, a estrutura óssea assume um formato semelhante às letras "S" ou "C", acompanhado por uma rotação das vértebras. A alteração afeta a dinâmica do corpo para além da estética.
A escoliose altera a movimentação do tronco e do quadril durante a caminhada. Em consequência, o corpo exige um esforço maior dos músculos para manter o equilíbrio, o que pode provocar cansaço físico frequente.
No Hospital Alvorada, uma equipe multidisciplinar experiente está à disposição para investigar, diagnosticar e tratar distúrbios ósseos. O serviço de saúde possui duas unidades: Brasília e São Paulo.
Para marcar a sua consulta veja as informações abaixo:
- Unidade Moema (São Paulo): (11) 3003-2591 ou pelo WhatsApp
- Unidade Brasília: (61) 3003-2598 ou veja mais opções de contato através do fale conosco
O que é escoliose torácica?
A escoliose torácica é uma alteração estrutural da coluna vertebral. Sendo ela caracterizada por uma curvatura lateral anormal que atinge principalmente a região torácica, acompanhada pela rotação das vértebras.
Diferentemente de uma simples alteração postural, trata-se de uma deformidade tridimensional da coluna. Ela pode fazer com que as costas assumam um formato semelhante às letras “C” ou “S”.
Conforme a curva evolui, podem surgir sinais como ombros desnivelados, escápula mais proeminente e assimetria da cintura e do quadril, provocada pela rotação das vértebras e das costelas.
Em casos mais acentuados, a deformidade torácica também pode interferir na mecânica do tronco e, em situações graves, comprometer a função respiratória.
O que causa o desvio na região do tórax?
A origem dessa alteração estrutural varia de acordo com o histórico biológico de cada paciente. Segundo informações colhidas pela Fiocruz, 80% dos casos são classificados como idiopáticos.
Esse subtipo se desenvolve sem uma causa específica. A genética desempenha influência considerável, sendo comum encontrar histórico da condição na mesma família.
Outra possibilidade diagnóstica é a escoliose congênita, ocasionada por má formação nos ossos da coluna ainda no período de gestação. Essa variação gera curvatura lateral e rotação das vértebras desde os primeiros anos de vida.
Existe também a variação neuromuscular, relacionada a doenças que afetam os músculos e o sistema nervoso central. Alterações neurológicas dificultam a sustentação adequada do tronco, favorecendo o desvio ósseo.
Quais são os sinais visíveis no corpo?
As modificações posturais tendem a ser nítidas conforme a curva progride. A rotação das vértebras empurra as costelas para trás, formando um volume nas costas que a medicina classifica como gibosidade.
Em crianças, essa redução do espaço interno no tórax pode comprometer o crescimento e a função dos pulmões. Os achados físicos no exame clínico envolvem:
- ombros visivelmente desnivelados
- uma das escápulas mais saliente que a outra
- assimetria na linha da cintura e no quadril
- roupas que parecem pendentes ou tortas no corpo
- dores e fadiga muscular esporádica
Como os médicos confirmam o diagnóstico?
A avaliação clínica inicial ocorre no consultório ortopédico por meio de manobras físicas. O médico realiza o teste de Adams, solicitando que o paciente flexione o tronco para frente com os joelhos esticados.
Essa posição evidencia a gibosidade torácica, facilitando a identificação da assimetria. Vale dizer que o diagnóstico visual não substitui os exames de imagem. Para determinar o planejamento terapêutico, torna-se indispensável a realização de radiografias panorâmicas da coluna.
O objetivo é analisar as imagens para medir o ângulo de Cobb. Essa métrica define em graus a severidade da curvatura, classificando-a como leve, moderada ou grave, o que dita os próximos passos do cuidado clínico.
Quais os caminhos possíveis para o tratamento?
A escolha terapêutica exige avaliação individualizada, dependendo da idade, potencial de crescimento ósseo e da progressão documentada da curva.
Curvaturas leves recebem indicação de acompanhamento periódico. As abordagens médicas atuais compreendem:
- fisioterapia especializada com exercícios voltados para a correção conservadora e fortalecimento muscular
- uso de coletes ortopédicos para conter o avanço da curva em adolescentes em fase de crescimento
- intervenção cirúrgica reservada para curvas graves ou com rápida progressão
A correção cirúrgica reduz as curvaturas acentuadas para níveis seguros e realinha a coluna. O procedimento busca preservar o movimento das regiões não fundidas e melhorar a capacidade funcional do paciente.
Essa intervenção previne o avanço do desvio e protege o funcionamento dos órgãos internos.
A escoliose no tórax tem cura?
O foco clínico não recai sobre o conceito tradicional de cura, mas sim no controle mecânico eficaz e na prevenção de agravamentos. Trata-se de uma condição estrutural.
O tratamento estabiliza a coluna, alivia desconfortos e assegura a funcionalidade respiratória. Pacientes com diagnóstico e acompanhamento rigoroso mantêm uma rotina saudável e ativa, sem restrições significativas de qualidade de vida.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
Burnei G, Gavriliu S, Vlad C, Georgescu I, Ghita RA, Dughilă C, Japie EM, Onilă A. Escoliose congênita: atualizada. J Med Life. Jul-Set de 2015; 8(3):388-97. PMID: 26351546; PMCID: PMC4556925. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26351546/. Acesso em: 10 ago. 2026.
KHORRAMROO, F.; RAJABI, R.; MOUSAVI, S. H. Pelvic, trunk and upper limb biomechanics during walking in individuals with spinal deformities: a systematic review and meta-analysis. Journal of Orthopaedic Surgery and Research, [S. l.], 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s13018-025-06063-w. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1186/s13018-025-06063-w. Acesso em: 10 ago. 2026.
TRZCIŃSKA, S.; KOSZELA, K.; KUSZEWSKI, M. Effectiveness of the FED method in the treatment of idiopathic scoliosis of girls aged 11–15 years. International Journal of Environmental Research and Public Health, dez. 2021. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph19010065. Disponível em: https://www.mdpi.com/1660-4601/19/1/65. Acesso em: 10 ago. 2026.
WANG, Y. et al. Effects of spinal deformities on lung development in children: a review. Journal of Orthopaedic Surgery and Research, 27 mar. 2023. DOI: https://doi.org/10.1186/s13018-023-03665-0. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1186/s13018-023-03665-0. Acesso em: 10 ago. 2026.
YANG, J. H. et al. Transient fixation of L4 vertebra preserves lumbar motion and function in Lenke Type 5C and 6C scoliosis. Scientific Reports, 13 maio 2021. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-021-89674-7. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-021-89674-7. Acesso em: 10 ago. 2026.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. O que é escoliose. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2024. Disponível em: https://escoliose.ensp.fiocruz.br/o-que-e-escoliose. Acesso em: 10 ago. 2026.
