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Equipe Alvorada - Equipe Alvorada Atualizado em 13/10/2026

Nefrologia

7 minutos de leitura

Doença renal crônica: estágios e como funciona o tratamento em cada um

Conheça os 5 estágios da doença renal crônica, do diagnóstico à falência renal. Saiba como a taxa de filtração glomerular define a evolução clínica
Resumo
  • A doença renal crônica divide-se em 5 estágios com base na Taxa de Filtração Glomerular (TFG).
  • As fases 1 e 2 costumam ser assintomáticas, exigindo controle rigoroso de diabetes e pressão alta.
  • O estágio 3 marca o início de sintomas clínicos, como fadiga crônica e inchaço nas pernas.
  • Os estágios 4 e 5 representam perda severa da função, com necessidade de preparo para terapias substitutivas.
  • O acompanhamento contínuo com um nefrologista é a estratégia mais eficaz para desacelerar o avanço da doença.

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doença renal crônica estágios

A progressão da doença renal é silenciosa nas fases iniciais. Conheça as classificações e saiba como preservar o funcionamento dos rins.

Você acorda, vai ao banheiro e nota a urina com mais espuma do que o habitual, ou vê um inchaço nos tornozelos ao tirar os sapatos no fim do dia. Para quem vive com hipertensão arterial ou diabetes, sinais cotidianos como esses acendem um alerta sobre a saúde dos rins. A doença renal crônica avança de forma gradativa, muitas vezes sem causar dor.

O Hospital Alvorada, em Moema, conta com nefrologistas especialistas em doença renal crônica. A unidade conta com um Centro Renal de Tratamento Integrado, localizado na avenida Gabriel de Resende Passos, 550. Os atendimentos são feitos de segunda a sexta, das 6h às 22h.

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O que é a taxa de filtração glomerular?

A gravidade da doença renal crônica não é medida apenas pelos sintomas relatados pelo paciente. Os médicos utilizam um cálculo matemático chamado Taxa de Filtração Glomerular (TFG). Esse índice estima o volume de sangue que os rins conseguem filtrar por minuto.

Para chegar a esse valor, o laboratório analisa a dosagem de creatinina no sangue. A creatinina é um resíduo natural do funcionamento dos músculos. Rins saudáveis eliminam essa substância facilmente pela urina. Rins com lesões, no entanto, permitem que a creatinina se acumule na corrente sanguínea.

Diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) utilizam a TFG combinada à presença de proteínas na urina, como a albumina, para classificar o nível do dano renal. Esse estadiamento orienta toda a conduta terapêutica.

Avaliar a quantidade de proteína eliminada pelo xixi em conjunto com a taxa de filtração é indispensável para acompanhar cada etapa do quadro clínico. Esse cuidado conjunto permite prever riscos vasculares graves com maior antecedência do que observar apenas a filtração isolada.

Quais são os estágios da doença renal crônica?

A classificação oficial divide a progressão renal em cinco fases distintas. O objetivo dessa divisão é padronizar o cuidado e intervir preventivamente antes que falhas irreversíveis ocorram.

EstágioTaxa de Filtração (TFG)Descrição da função renal 
Estágio 1Maior ou igual a 90Normal ou aumentada, com sinais físicos de lesão.
Estágio 2Entre 60 e 89Perda leve da capacidade de filtração.
Estágio 3Entre 30 e 59Perda moderada, dividida clinicamente em 3a e 3b.
Estágio 4Entre 15 e 29Perda severa e risco elevado de complicações.
Estágio 5Menor que 15Falência renal.

Estágio 1: função preservada com sinais de lesão

Nesta fase inicial, a filtração de sangue permanece acima de 90 mL/min/1,73m². Os rins ainda executam seu trabalho primário de forma eficiente. O diagnóstico ocorre porque exames detectam alterações estruturais ou perda de proteína na urina (proteinúria).

Os pacientes não costumam apresentar sintomas físicos evidentes. O foco médico concentra-se em investigar a causa da lesão, como picos de glicemia ou pressão descontrolada, para interromper o dano na origem.

Estágio 2: perda leve da função renal

A taxa de filtração cai para a faixa de 60 a 89 mL/min/1,73m². Há uma redução branda no desempenho dos filtros renais. Assim como na fase anterior, o paciente raramente sente desconfortos perceptíveis.

As intervenções exigem mudanças robustas no estilo de vida. O controle rigoroso da pressão arterial torna-se inegociável. Médicos costumam ajustar medicações anti-hipertensivas que também ofereçam proteção direta aos tecidos renais.

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Estágio 3: redução moderada e início dos sintomas

Ocorre quando a TFG fica entre 30 e 59 mL/min/1,73m². A nefrologia divide esse momento em dois subestágios: 3a (45 a 59) e 3b (30 a 44). É a partir da fase 3b que as toxinas começam a sobrecarregar o organismo de forma visível.

A doença avança sem alardes e a maioria dos desconfortos só se manifesta de verdade quando a filtração cai abaixo de 30 mL/min. Até atingir esse limite, a perda de função pode passar despercebida no dia a dia sem exames de rotina.

Quando a perda se intensifica, o inchaço nas mãos e pés fica recorrente. Surge uma fadiga inexplicável, frequentemente ligada ao início de um quadro de anemia. Isso ocorre porque rins lesionados diminuem a produção de eritropoietina, hormônio responsável por estimular a fabricação de glóbulos vermelhos.

Estágio 4: perda severa e preparo para terapias

A TFG atinge níveis críticos, entre 15 e 29 mL/min/1,73m². Os rins perdem a capacidade de manter o corpo em equilíbrio químico. O acúmulo de fósforo e a falta de vitamina D ativa desencadeiam problemas ósseos graves.

Nessa fase avançada, a perda acentuada de filtração também enrijece as paredes das artérias, tornando os vasos sanguíneos menos flexíveis. Essa alteração vascular sobrecarrega o músculo cardíaco, que passa a bombear sangue com mais esforço.

As restrições alimentares tornam-se bastante específicas sob orientação de nutricionistas especializados. A equipe médica inicia o planejamento prático para terapias de substituição renal, como a confecção de fístulas para futura hemodiálise.

Estágio 5: falência renal e terapias substitutivas

A filtração cai abaixo de 15 mL/min/1,73m². Ocorre a chamada insuficiência renal terminal. Os rins não conseguem mais sustentar a vida por conta própria, resultando em um quadro clínico de uremia extrema.

Sintomas agressivos dominam o dia a dia: náuseas intensas, coceira generalizada pela pele, falta de ar e confusão mental. A sobrevivência depende obrigatoriamente do início do tratamento dialítico ou da realização de um transplante renal.

Como desacelerar a progressão da perda renal?

Diagnosticar a doença renal crônica em suas fases iniciais oferece a melhor janela de oportunidade para conter sua evolução. A velocidade com que a pessoa transita do estágio 1 para o estágio 5 depende diretamente do manejo das condições de base.

Algumas medidas clínicas e comportamentais formam a base desse cuidado:

  • manutenção da pressão arterial em níveis estipulados pelo médico;
  • controle estrito da glicose no sangue em pacientes diabéticos;
  • uso combinado de medicamentos específicos para pressão e diabetes prescritos para frear a perda de proteínas pela urina;
  • abandono completo do tabagismo, que compromete os vasos sanguíneos dos rins;
  • suspensão do uso de anti-inflamatórios sem receita, devido ao risco direto de toxicidade renal.

A hidratação e o plano alimentar devem ser planejados individualmente. O consumo de sal, proteínas e potássio passa por restrições graduais à medida que a função renal cai.

Por outro lado, o consumo de fibras alimentares atua de forma protetora, associando-se a uma menor taxa de mortalidade nesses pacientes. Esse equilíbrio exige orientação técnica contínua para ajustar fontes adequadas sem descompensar minerais no sangue.

Quando diálise ou transplante renal são indicados?

A indicação para iniciar a terapia renal substitutiva ocorre, na grande maioria das vezes, na transição para o estágio 5. Contudo, o momento exato não depende apenas do número no exame de laboratório, mas de como o corpo do paciente está reagindo à falência dos órgãos.

Se o acúmulo de líquidos causar risco ao pulmão ou se o desequilíbrio de potássio ameaçar o coração, a diálise precisa ser iniciada de imediato. O transplante, quando há doador compatível e condições clínicas favoráveis, é considerado a melhor opção para a recuperação da qualidade de vida, podendo até mesmo ser planejado antes do início da diálise em alguns cenários (transplante preemptivo).

Por que o acompanhamento faz a diferença?

A gestão da doença renal crônica exige um olhar clínico integrado. O médico nefrologista interpreta exames seriados para calcular a velocidade exata da perda da função renal. Isso permite antecipar complicações semanas ou meses antes que os sintomas incapacitantes surjam.

O paciente que compreende seus estágios renais participa ativamente da sua saúde. Realizar exames periódicos de sangue e urina, respeitar as orientações nutricionais e comparecer às consultas são ações fundamentais para proteger o funcionamento dos rins pelo maior tempo possível.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
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